Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, SALVADOR, DOIS DE JULHO, Homem, de 36 a 45 anos, Arte e cultura, Música, Livros



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Arca da Arte
 Pinacoteca Básica
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


 
 
Observatório da Arte


SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

 

 

Cartaz do evento de autoria de Di Cavalcanti

 

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um dos mais importantes acontecimentos das artes no Brasil no século XX, devido ao seu mérito de apresentar uma geração de artistas cujas obras tinham a proposta de fazer uma arte inovadora, rompendo com a conservadora arte acadêmica e totalmente sintonizada com as vanguardas artísticas européias e ao mesmo tempo, identificada com a realidade cultural brasileira.

Contudo, houve em São Paulo, duas exposições importantes de artistas modernistas que praticamente, prepararam terreno para a concretização da Semana de 1922, bem como do movimento arte moderna no Brasil. A primeira em 1913, do pintor lituano radicado no Brasil, Lasar Segall (1891-1957) e a segunda em 1917, de Anita Malfatti (1896-1964). Esta última foi cercada por muita polêmica na época, por causa do artigo de Monteiro Lobato (1882-1948), publicado no jornal O Estado de São Paulo, onde o escritor fez um verdadeiro ataque à pintora com duras críticas aos seus trabalhos, que chegaram a abalar emocionalmente a artista e marcá-la para sempre.

 

O Homem Amarelo , 1915 - 1916
óleo sobre tela, c.i.d.
61 x 51 cm
Coleção Mário de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (SP)

 

 

A proposta por uma arte nova no Brasil desvinculada do academicismo, partiu de nomes ligados à literatura como Oswald de Andrade (1890-1954), Mário de Andrade (1893-1945) e Menotti del Picchia(1892-1988), de artistas ligados às artes plásticas como DiCavalcanti(1897-1976).

 

Foto clássica com os participantes do evento

 

Apesar do caráter inovador e vanguardista da Semana de 1922, o evento foi patrocinado figuras pertencentes à tradicional elite paulistana, como Alfredo Pujol, Rennè Thiollier, Martinho Prado, José Carlos Macedo Soares, entre outras personalidades.

A Semana de Arte Moderna foi realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, onde foram apresentados concertos musicais, declamação de poesias e números de dança no interior do teatro. No saguão do mesmo teatro, foi montada uma exposição de pinturas, esculturas, desenhos e projetos arquitetônicos, todos em sintonia as mais importantes tendências modernistas européias.

Os grandes destaques do evento foram os arquitetos Antônio Moya (1891-1948) e George Prsyrembel, os escultores Vítor Brecheret (1894-1955) e W. Haerberg, os pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz (1891-1980), Martinez Ribeiro, Zina Aita (1900-1967), João Fernando de Almeida Prado, Ignácio da Costa Ferreira, conhecido como Ferrignac (1892-1955), Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).  

A primeira noite do evento foi aberta com um discurso do escritor Graça Aranha (1868-1931) que disse: “Para muitos de vós, a curiosa e sugestiva exposição que gloriosamente inauguramos hoje, é uma aglomeração de horrores (...) Outros horrores vos esperam.” Na mesma noite, o poeta Ronald de Carvalho (1893-1935) apresentou a conferência A Pintura e a Escultura Modernas no Brasil e encerrando, houve um concerto de Ernani Braga, executando uma obra de Heitor Villa-Lobos (1887-1957).

 

Nascimento de Mani, Vicente do Rego Monteiro, 1921. Aquarela sobre papel. 28 X 38 cm.  Museu de Arte Contemporânea, São Paulo (SP)

 

 

No segundo dia, o escritor Oswald de Andrade provocou muita polêmica ler trechos do seu romance inédito Os Condenados, onde disse que “Carlos Gomes é horrível!” O escritor foi vaiado e xingado. Ronald de Carvalho leu trechos do poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira (1886-1968), uma reação ao Parnasianismo.

(...) “Em ronco que aterra,

Berra o sapo-boi:

- “Meu pai foi à guerra!”

-“Não foi!”

-“Foi”

- “Não foi!”

(...) Parnasianismo aguado.

Diz:- Meu cancioneiro

É bem martelado.

 

Teatro Municipal de São Paulo

 

A  tarde do segundo dia, foi concluída com concertos de compositores modernistas e uma conferência de Mário de Andrade.

Na noite do dia 17 de fevereiro, predominou  a música. A pianista Guiomar Novaes (1894-1979)  tocou obras de Chopin, um dos raros momentos de tranqüilidade no evento. Porém, quando Villa-Lobos apresentou-se vestindo uma casaca e calçando chinelos, o público interpretou aquilo como uma provocação, e reagiu com vaias e xingamentos. Há quem diga que o maestro estaria com os calos dos pés inflamados.

As obras de arte lá expostas, foram também alvos de indignação do público. Obras como O Homem Amarelo, de Anita Malfatti, escandalizaram os visitantes. As tendências vanguardistas nas artes plásticas eram algo novo e estranho para aquele público conservador.

O grande legado da Semana de Arte Moderna, foi ter mostrado a possibilidade produzir uma arte livre, moderna e totalmente comprometida com a identidade brasileira. Se na época, o evento não causou a grande repercussão, a sua importância só seria sentida ao longo das décadas do século, sendo uma referência a todos os movimentos culturais e artísticos no Brasil, do Movimento Antropofágico, de 1928, liderado por alguns remanescentes da Semana de 1922 até Tropicalismo, em 1968.

Escrito por Sidney Falcao às 12h08
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]